Indy perdida em mudanças

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Em busca desesperada pela recuperação da popularidade perdida ao longo de mais de uma década, a organização da Indy vem apelando para diversas manobras arriscadas no estilo de sua competição, tentando criar um impacto positivo perante os fãs americanos do automobilismo, que cada vez mais se curvam diante da Nascar.

Essa postura cria um tempestuoso paradoxo, que ao mesmo tempo impulsiona e trava a série: por um lado, fica explícito o arrojo e a vontade de inovar, ao mesmo tempo em que os comandantes se esforçam para retomar alguns laços tradicionais; porém, o número exacerbado de mudanças de um ano para o outro forma um verdadeiro nó na cabeça dos fãs, deixando a dúvida: é possível cativar um público que não sabe que tipo de disputa irá acompanhar de uma temporada para a outra, ou, pior, de uma corrida para a outra? Acima disso, é possível constatar que um determinado plano deu certo ou errado, mesmo sem um escrutínio vox populi de pelo menos alguns anos?

Independente de qual seja a resposta, também não é de se estranhar que uma categoria que vive em um turbilhão político constante não consiga se encontrar a essa altura de sua existência. Caso o douto leitor não se lembre, o ano passado marcou a destituição de Randy Bernard do cargo de diretor executivo da série, numa clara derrota na queda de braço contra os chefes de equipe mais ortodoxos. Bernard, apesar de bem visto entre especialistas e até fãs, falhou ao não conseguir integrar toda a “comunidade Indy” em torno de seus ideais, que eram expandir a competição para além do mercado americano. Pode parecer estranho, mas isso não era encarado com bons olhos por boa parte dos dirigentes, crentes de que a solução é fortalecer a marca dentro do próprio país.

Dentro deste imbróglio, a sombra do criador daquela que gerou a atual Indy, Tony George, ronda o evento como um abantesma, prestes a tomar forma, ganhar luz e retomar para si o controle absoluto da série. Ainda em 2012, o fundador da IRL deixou o cargo que possuía na Hulman & Company, dona dos direitos da Indy e proprietária do autódromo de Indianápolis, para se juntar a um outro grupo que deseja adquirir o campeonato. Chegou até a fazer uma proposta de US$ 30 milhões, recusada pelos atuais donos. Nos últimos tempos, há um grande silêncio em torno do assunto, mas não se espantem se o espectro ressurgir com força ao longo deste ano.

Na sequência, o leitor poderá acompanhar um resumo de todas as modificações técnicas, esportivas, econômicas e políticas da Indy para 2013. Como você poderá constatar, elas são, das pequenas às grandes, numerosas, e bem difíceis de guardar de cabeça.

 

 

REGULAMENTO TÉCNICO

Uma das grandes expectativas para 2013 estava na adoção dos chamados kits aerodinâmicos, que poderiam ser fabricados de forma independente pelas equipes, ou mesmo por outros fabricantes, para criar novos desenhos de defletores laterais, aletas das asas dianteira e traseira, cobertura do motor e outras peças que influenciam diretamente na passagem do fluxo de ar pelo carro.

Dario Franchitti

 

O objetivo inicial era formar uma competição de diferentes tipos de pacotes acoplados ao chassi Dallara DW12, a preços que não ultrapassassem a faixa de US$ 75 mil por kit. Entretanto, com medo de que os custos acabassem excedendo os valores programados, os chefes de equipe vetaram a sua implantação e, por isso, seguindo recomendações dos organizadores, a fabricante do carro fez pequenas modificações para melhorar a eficiência e a segurança do bólido. Veja quais foram:

>> Para melhorar a segurança do piloto na célula de sobrevivência, foi feita a inclusão de duas peças nas laterais do cockpit, à altura dos ombros. Elas ficarão posicionadas na parte de dentro da carenagem, portanto não serão visíveis e nem provocarão qualquer efeito aerodinâmico. Além disso, as próprias laterais do habitáculo foram reforçadas com novas camadas de zylon. A intenção é diminuir a carga transmitida aos competidores em impactos sofridos lateralmente.

>> Os discos de freio passarão a contar com protetores, que serão obrigatórios nas corridas em ovais e opcionais naquelas em circuitos mistos.

>> O pacote para o oval de 1,5 milha do Texas foi atualizado, seguindo as novas peças preparadas para os demais speedways. Contudo, a pressão aerodinâmica dos carros será limitada ao mesmo nível de 2012. Para o oval curto de Iowa, houve uma pequena diminuição do nível de pressão, enquanto as especificações para Pocono serão as mesmas de Indianápolis.

>> Para melhorar a visibilidade, o comprimento mínimo do número dos carros na aba da asa traseira foi aumentado para oito polegadas (20,32 centímetros).

 

 

QUESTÕES POLÍTICAS E FINANCEIRAS

As novidades de 2013 da Indy não ficaram restritas ao âmbito esportivo e técnico. No aspecto político e financeiro, também foram realizadas alterações pontuais, visando a uma desoneração das despesas das equipes e, inclusive, uma maior participação de times e pilotos nas decisões técnicas e esportivas da categoria. Confira:

>> O número de testes particulares permitido pelo regulamento caiu em dois terços, de 18 para seis (sendo dois na pré-temporada, outros dois no meio do ano e mais dois na pós-temporada). Cada escuderia passa também a ter 16 jogos de pneus à disposição para esses treinamentos, metade do que era oferecido em 2012. Caso haja um novato competindo, o time em questão terá direito a duas datas e três quartetos de pneus adicionais. As  fabricantes de motor, Honda e Chevrolet, não terão mais carta branca para testar ilimitadamente, passando a usufruir de meros seis dias de treinos ao longo do ano, podendo liberar um máximo de duas sessões para cada cliente.

>> Após longa negociação com a Dallara, o valor das peças de reposição fornecidas às equipes caiu em cerca de 14%, permitindo uma economia anual estimada em US$ 50 mil. Os preços permanecerão congelados pelo menos até março de 2014.

>> Duas novas vagas foram abertas no chamado “Círculo dos Líderes”, que passou distribuir subsídios de US$ 1 milhão aos 22 carros mais bem colocados no campeonato anterior e que, obviamente, estão inscritos para a nova temporada.

>> A fim de evitar o cancelamento de etapas já confirmadas no calendário, como aconteceu recentemente com a China, os organizadores da série passarão a exigir o depósito de um caução por parte dos promotores interessados em realizar uma corrida da categoria em qualquer local.

>> A partir de 2013, a Indy contará com o novo Comitê de Competição, que será composto por um grupo de, no mínimo, sete membros, e fará reuniões regularmente para avaliar os pontos mais críticos do regulamento, especificações técnicas e segurança da categoria. Em seu primeiro ano de existência, o corpo contará com dois representantes da administração da série, dois das equipes, dois pilotos e mais cinco apontados, respectivamente, pelas fornecedoras de motor (Honda e Chavrolet), chassis (Dallara), pneus (Firestone) e pelo diretor executivo do campeonato, Jeff Belskus. Um dos dois membros denominados pela própria organização será eleito presidente e terá autorização  para convidar promotores de etapas, donos de autódromos e membros de veículos de comunicação para tomarem parte nos encontros. O Comitê terá caráter consultivo, portanto sem poder para determinar mudanças nas regras. Suas decisões serão repassadas aos organizadores em caráter de recomendação, ainda sujeitas à aprovação do corpo diretivo para serem aplicadas.

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Publicado em 5 de maio de 2013, em Uncategorized. Adicione o link aos favoritos. Comentários desativados em Indy perdida em mudanças.

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