Cinema 10 | Ep. 03 | Fernão Capelo Gaivota

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Fernão Capelo Gaivota

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Sinopse:

Uma gaivota de nome Fernão decide que voar não deve ser apenas uma forma para a ave se movimentar. A história desenrola-se sobre o fascínio de Fernão pelas acrobacias que pode modificar e em como isso transtorna o grupo de gaivotas do seu clã. É uma história sobre liberdade, aprendizagem e amor .

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Crítica:

Quando Richard Bach escreveu Fernão Capelo Gaivota (1970), deve ter intuído que seu livrinho faria sucesso. Não deve ter adivinhado o quanto: Fernão Capelo Gaivota  foi o fenômeno editorial da década. O livro inspirou uma geração de bichos-grilos a aprofundar sua busca interior sem os excessos da contracultura. Os hippies aderiram em massa, e não só eles: de agentes do FBI a grupos de Alcoólicos Anônimos (AA), todos estavam antenados nas lições espirituais daquele passarinho iluminado.

“A vida tem que ser mais do que brigar por algumas cabeças de peixe,” reflete nosso protagonista. Fernão quer ser diferente. Não quer disputar com as outras gaivotas por restos de comida ou baixar a cabeça e seguir as leis do bando. Sonha em voar mais alto e mais rápido do que todo mundo. Seu isolamento voluntário, ideal para aprimorar suas habilidades aéreas, inquieta seus pais. Eles vêem no seu comportamento estranho um motivo de preocupação para todo bando. Um dia Fernão finalmente descobre que pode voar a mais de 100 km/h. “Como vou contar a eles? Como vou dizer?” se pergunta. “Descobri coisas que vão mudar nossas vidas. Há um mundo e tanto lá fora. Nenhum de nós jamais o viu e sentiu.” Fernão corre para mostrar o que aprendeu, mas dá tudo errado: seu vôo rasante sobre o bando põe todos em risco. Ele é convocado pelos velhos do bando e expulso.

Depois de vagar uma eternidade e quase morrer congelado, esquecido pelo mundo, Fernão é resgatado pelo seu novo bando. Entre eles está seu futuro mestre espiritual, Chang, e com a ajuda dele Fernão vira uma figura messiânica, o “filho da Grande Gaivota”, um guru pra uma nova geração de desgarrados. Fernão volta para espalhar a boa nova para seu velho bando, e lá encontra a resistência deles – novamente. O clima fecha de vez quando uma nova demonstração dá errada, feita por Francisco, um discípulo de Fernão que promete dar um vôo rasante sobre o bando a 320 km/h. Francisco desvia no último segundo de uma gaivota bebê que aparece do nada, e ele se espatifa a toda velocidade nas pedras. Quando tudo parece estar perdido Francisco “ressuscita”, com a ajuda de Fernão. Estarrecidos com o que acabaram de presenciar, os velhos lideram uma caça às bruxas contra Fernão e seus seguidores, e eles escapam por um triz da morte graças aos “super-poderes” de Fernão. Depois desse episódio Fernão se despede dos seus apóstolos e segue rumo a novos bandos, pregando seu evangelho gaivotês mundo afora.

A posteriori o sucesso espetacular de Fernão Capelo Gaivota  não surpreende: foi o livro certo no momento certo. Nem sempre foi assim… É praticamente um milagre que ele tenha sido publicado. No limiar da pobreza e com cinco filhos pra criar, Richard Bach penou por três anos até achar um lar para Fernão Capelo Gaivota. Ele foi rejeitado por 26 editoras. A derradeira, MacMillan, lançou o livro sem verba publicitária. As resenhas iniciais não foram encorajadoras e nem as vendas. O velho boca a boca salvou Fernão Capelo Gaivota do ostracismo, e lentamente ele escalou a lista do Publisher’s Weekly, fisgando 1,8 milhões de leitores americanos ao final de 1972. O fenômeno Fernão Capelo Gaivota continua firme e forte no novo milênio: o livro já foi traduzido para 27 línguas e suas vendas superam 40 milhões de cópias ao redor do mundo.

O filme, que prometia ser um evento cultural, não repetiu o sucesso do livro. Fernão Capelo Gaivota marcou época, sim, mas da pior maneira possível. Foi descrito por Roger Ebert como “a maior enganação pseudo-metafísica do ano”. Na época a Time arrasouFernão Capelo Gaivota e sua “teosofia vomitante”. Depois de desdenhar a sua “pieguice”, o resenhista do New York Magazine conclui que o filme “é o tipo de lixo que só uma gaivota pode gostar”. O filme continua a ser mencionado todo ano na lista dos piores já feitos. A maioria das críticas bate na mesma tecla: dar voz aos monólogos internos de Fernão é um caso de vergonha alheia, um dos piores da história. Dói na alma ouvir as gaivotas trocando aforismos “iluminados”. Não é por acaso que os nomes dos atores não aparecem nos créditos do filme, a pedido deles mesmos. Num determinado momento, o próprio Richard Bach processou Hal Bartlett por alterar suas idéias – o diretor reescreveu o diálogo sem sua permissão, ferindo a “integridade” do seu texto. Sei não. Acho mais provável que Bach não quisesse estar associado ao filme, e fez de tudo pra atravancar o lançamento do mesmo. Enfim, Fernão Capelo Gaivota é tão ruim que a Columbia Pictures só teve coragem relançá-lo em DVD em 2007, 30 e tantos anos depois de sua estréia malfadada.

Duas coisas (quase) salvam o filme. Uma delas é a fotografia. Logo no início o espectador é convidado a um banquete visual: a câmera mergulha entre as nuvens e sobrevoa os penhascos costeiros, captando a beleza turbulenta das ondas do mar quando elas se chocam nos rochedos. São tomadas aéreas de tirar o fôlego, filmadas na Califórnia e no Novo México. Jack Couffer, responsável pelas imagens belíssimas de Fernão Capelo Gaivota, foi indicado ao Oscar de “Melhor Cinegrafia”. A outra é a música de Neil Diamond.

Mas apesar de tudo, quanto o livro qunto o filme, por suas idéias, e no coso do filme, sua fotografia e sua trilha sonora, valeu para o filmes estar no “Cinema 10”, a lista aonde só 13 filmes entraram.

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Publicado em 11 de maio de 2013, em Uncategorized e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. Comentários desativados em Cinema 10 | Ep. 03 | Fernão Capelo Gaivota.

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